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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

E quem não salta?


A Vida é um conjunto de desafios. Não há quem não os tenha. Não há quem os consiga ludibriar.

A Vida vai-nos pondo à prova e vai ela própria nos desafiando. “Tenta lá agora saltar mais alto…” passa a Vida nos dizendo, sempre que nos encontramos já estáveis e acomodados.

E à primeira vista fazemos sempre uma careta feia (mais feia do que aquela que tínhamos feito ao último desafio). Mas depois, respiramos fundo e lembramo-nos de que não é o primeiro desafio que conseguimos transpor, por isso ganhamos força de vontade para vencer e ali estamos nós. Olhamos lá para baixo e pensamos “Que salto enorme que eu dei… Já estou tão cá no cimo!”. E ficamos orgulhosos de nós próprios.

A Vida lá no seu íntimo também se acaba por orgulhar de nós e, enquanto isso, começa logo a magicar qual o próximo desafio que nos irá servir de bandeja.

“Já chega de saltos…” pensamos nós para com os nossos botões. Mas claro que a Vida não faz caso e logo quando nós nos encontramos a andar vagarosamente ela chega e faz-nos pular novamente. “Upa!” grita ela puxando por nós.

Nós lá vamos seguindo o que a Vida nos incita a fazer. Ora damos um saltinho aqui, ora damos um pulo gigante acolá… Às vezes acontece saltarmos e o desafio ser tão grande que quando caímos ao chão nos magoamos mas, a Vida lá reconhece o seu erro e trata de nos arranjar uns trampolins. Nós sabemos que podemos contar sempre com esses trampolins. Às vezes, somos nós mesmos os trampolins de nós próprios; outras vezes, precisamos dos trampolins vizinhos para voltarmos ao patamar onde estávamos antes. Eu, pessoalmente, gosto de chamar os meus trampolins pelo seu verdadeiro nome: Amigos. Acho que lhes devo esse respeito.

Espero que a Vida esteja orgulhosa de mim. Tenho saltado todas as vezes que ela mo pediu para fazer. Às vezes lá dou um salto mais pequenino quando devia ter quase tocado nas nuvens. Outras vezes, ela espera de mim um pequeno salto e eu consigo deixá-la boquiaberta com a altura a que consegui chegar. Às vezes também caio mas, graças a Deus que tenho os meus Amigos, os trampolins. Afinal, o importante é nunca perder o jeito para saltar.
 
 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O que tu queres, não o queiras


Tu queres inventar o que ainda não foi inventado. Queres ser o primeiro a ter a ideia. Aquilo que mais desejas é descobrir o que ainda nem se sabe que existe. Tu queres ter ideias luminosas e pensamentos nunca antes falados. Tu és aquele que sonha e que ambiciona ser o criador. Tu queres ser Deus.

Tu queres ser revolucionário mas esqueceste que o importante já foi inventado. O que tu queres a mim já não me encanta. O que tu queres, a mim já não me fascina. Gosto do teu lado sonhador mas isso já não me chega. Inventar o quê de novo? Já tanto foi modificado. Já tanto foi experimentado. Já tanta pureza foi sujeita a transformações. Basta!

Não queiras criar. Não queiras ser vanguardista. O necessário a ser inventado, já o foi. Quereres ir além do que já foi inventado é um sortilégio. Disponibiliza antes o teu tempo para cuidar do que já está inventado. Valoriza a pureza das coisas que estão à tua volta. Aprende antes a estimar as emoções verdadeiras. Não cinjas o teu olhar apenas ao que te aparece à frente. Aprecia as boas energias que te enviam. Admira o importante que já foi inventado com a ajuda de pinturas, esculturas, aromas e sons que ficam no ouvido. Como se fosses uma criança, deslumbra-te com o que está à tua volta. Elas todos os dias valorizam as coisas importantes à sua maneira. Não desprezes nunca aquele que repudia o novo ao invés do genuíno. Não troques o importante que já foi inventado pelo novo que nem se consegue bem definir. Procura tu também ser autêntico em vez de te vestires artificial. Não queiras ter ideias que nunca ninguém ousou ter. Isso não fará de ti, comparando com os outros, um ser mais especial. Sê tu mesmo, sem tirar nem pôr, estupidamente normal.

 

E apesar de tudo, eu lá no fundo sei.

Há-de chegar o dia em que tu inventas o mundo e eu já cá não estarei. E, no entanto, que peso tem este texto que eu própria inventei?