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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

dias

Nascemos sem querer. Não decidimos quando ou onde. Morremos sem querer. Não decidimos quando ou onde. Todos os outros dias, entre o dia da nossa chegada e o da nossa partida, somos nós que decidimos. Todos os dias podemos decidir quando fazemos o quê, para onde vamos, e com quem queremos estar. Não devemos, portanto, limitar a nossa vida em função de apenas dois dos seus dias.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

orgulho


O Orgulho nunca o deixou ser ninguém. Falava-lhe sempre baixinho ao ouvido e dizia-lhe para se achar melhor do que todos os outros. Mesmo no momento em que mais precisou da ajuda de alguém, o Orgulho disse-lhe para não descer tão baixo e ignorar as mãos que o queriam acudir. “Não peças nunca desculpas a ninguém!” lembrava-lhe vezes sem conta o Orgulho com medo que ele deixasse de ser quem era e que perdesse assim a sua dignidade. Em todas as situações pedia-lhe que não desse o braço a torcer, com pena de passar por perdedor. Ele lá ia ouvindo os conselhos do Orgulho e a sua vida até que não lhe corria mal… Até disso se podia orgulhar! Vivia sozinho, com aquele amigo de sempre; não tinha família, não sabia o que era o amor, não tinha trabalho e vivia para o ar. Era um Zé-ninguém-com-Orgulho. Chegou porém um dia em que de tão orgulhoso que se tinha tornado achou não precisar mais daquele seu único e fiel companheiro. Foi inchado de orgulho que lhe deu um pontapé daqueles bem puxados atrás. Claro que o Orgulho não se ficou por ali e acabou por lhe dar troco. De tão orgulhosos que ambos eram, ninguém quis sair perdedor e dar por terminada a zanga. E por isso acabaram por morrer, não de pancada mas do Síndrome de Orgulho Estupidamente Agudo.