Mostrar mensagens com a etiqueta pensamentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pensamentos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 2 de setembro de 2014

decidir

Não quero decidir. Não me quero sentir culpada pelo destino que a minha vida pode tomar. Não quero ser eu a ter o peso na consciência sobre o novo rumo que a minha vida tomar. Não me quero sentir culpada se a minha vida começar a correr mal. Alguém que decida por mim. A moeda ao ar também não me serve. Não quero decidir. Prefiro sentir-me ilusoriamente impotente. Não quero ser eu a decidir algo tão importante. E, no entanto, tenho de viver com o peso dessa minha decisão.

Estou à espera...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

vazio


Esvazia-te. Sente-te vazio. Inunda-te de incertezas. Volta a ser uma tábua rasa se algum dia sequer o foste. Livra-te de tudo o que aprendeste. Volta a olhar o mundo sem preconceitos. Respira como se fosse a primeira vez. Alegra-te com o que de mais simples a vida tem. Não procures saber. Não queiras saber. Tem raiva de quem sabe. Não queiras saber de professores, de livros ou filosofias. Eles infetam-te. Eles mudam-te. Eles querem que sejas quem tu não és. Sacode-te. Deixa sair os teus pensamentos. Deixa as tuas emoções saírem de forma natural. Chora se tiveres que chorar. Ri se tiveres que rir. Esconde-te do mundo se quiseres. Expulsa de ti qualquer tipo de opinião. Exorciza qualquer religião. Não acredites em nada. Não oiças o que te dizem. Não creias no que os teus olhos veem. Não te deixes levar por perfumes. Repele-te contra tudo o que te queira tocar. Sê livre de sensações e de emoções. Repudia sentimentos e anula conhecimentos. Não queiras ir mais longe. Fica onde estás e esvazia-te. Esvazia-te apenas e nada te poderá magoar. Sê vazio, mas feliz.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Será que somos mesmo livres?


Dizes que és livre mas não sabes. Não sabes que só és livre dentro da tua liberdade. Dizes que podes, fazes e aconteces, não só hoje mas desde sempre. Esqueceste que para hoje poderes, fazeres e aconteceres houve muitos outros antes que não podiam mas faziam e aconteciam. Já houve quem por ti lutou. Por ti criança, por ti homem, por ti mulher, por ti cidadão do mundo, por ti um dia que serás idoso. E não te esqueças que és livre mas só dentro da tua liberdade. O que podes, fazes e aconteces num lugar não quer dizer que noutro também assim o seja. Esqueceste que houve um tempo em que a liberdade não te iria pertencer, por seres tu e por seres como és. Mas lembra-te que hoje tu só és livre dentro da tua liberdade. E o que é ser livre para ti não é o mesmo que para os outros. Podes estar enjaulado e sentir-te livre e estares cá fora e não poderes dizer que o és. Outros há que ainda não o podem dizer. Outros há que a sua liberdade não os deixa sequer ser livres. E os outros há que mesmo sem liberdade são livres. Outros há que são livres sem o saberem e outros há que têm a certeza que são livres mas não são, só o são dentro da sua própria liberdade. Dizes que és livre mas não passas de um pássaro enjaulado à tua liberdade. A tua liberdade é só tua e ninguém tem uma liberdade igual à de ninguém. A tua liberdade são as tuas crenças, os teus valores, os teus objetivos, a tua família, a tua sociedade, o teu mundo e a tua consciência. Ainda achas que és livre? És livre para pensar que sim.


 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Não te oiço! Não te estou a ouvir. Quando é que te calas?


Não te oiço. Não te estou a ouvir. Quando é que te calas? Estou farto das tuas lamentações. Queres parar por um segundo? Não te estou a ouvir. Para! Quero que me oiças. Preciso que alguém me oiça. Quero ouvir a minha voz. Quando é que vais parar de falar? Cala-te. Agora não me dá jeito. Não tenho tempo. Tem de ficar para depois. Estou muito ocupado. Não te posso ouvir agora. Não te quero ouvir agora. Depois só posso para o outro dia. Agora é que não. Que aborrecido! Estás sempre a repetir as mesmas frases. Chato! Será que não vês a minha cara de preocupado? Tenho mais que fazer do que estar aqui a perder tempo contigo. A minha vida não é isto! Agora tenho de me ir embora. Não posso ficar aqui. Quero ir para outro lugar. Tenho de ir para longe. Não. Tu não podes vir comigo. Não percebeste ainda? Estou fartinho de ti. Só queres que eu te oiça e não tens tempo nenhum para me ouvir! Basta! Já chega. Não tenho paciência para aturar isto. Já é demais. Já me sinto cansado. Na verdade estou exausto e sem cabeça para pensar. O meu corpo ficou pesado. Olha, parei. Estou inerte. Agora passas por mim e nem me vês. Agora tinha tempo para te ouvir. Não queres? Já é tarde? Tens razão, vou-me deitar.

Mas afinal o que são Histórias Ainda Por Abotoar?


São histórias por abotoar estas que vos escrevo. Não são mais do que singelos rascunhos, por vezes até pobres no seu significado mas que escrevo com alma sobre os mais nobres tecidos. São acima de tudo histórias sobre tudo e sobre nada.

Às vezes, nem se poderão chamar efetivamente de histórias mas por que acabam sempre por ter um bocadinho de mim, farão, pelo menos e por certo, parte da minha história. São histórias por abotoar e acabam por ser retalhos dos meus pensamentos que coso com as palavras que tenho à minha disposição.

Não me importo se as cores das linhas condizem umas com as outras ou se por vezes se cruzam e fica um nó entre as palavras. Também pouco me interessa se sigo bem os moldes ou se os padrões não combinam de todo. São histórias por abotoar e são pedaços de mim e da forma como vislumbro a vida, são cortes e recortes do meu dia-a-dia e por mais sóbrios ou mais loucos que possam ser, eu visto-os, porque são meus. Visto-os e desfilo-os pela rua. De alguma forma orgulho-me da estilista que vejo crescer em mim.

Porém, eu sei que estas histórias perdem por não lhes dedicar a atenção devida e, na maioria das vezes, não lhes aprimorar o corte ou fazer uma bainha mas por enquanto é assim que elas me fazem sentido. Pouco me importa se quem as lê agora dá pela falta de uma dobra ou até mesmo de um botão… No fim de contas, elas são ainda histórias por abotoar, e cumprem bem a sua função. Tenciono continuar a escrever para mim, para todos e para ninguém.

Prometo que qualquer dia aprendo a costurar.

 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O que tu queres, não o queiras


Tu queres inventar o que ainda não foi inventado. Queres ser o primeiro a ter a ideia. Aquilo que mais desejas é descobrir o que ainda nem se sabe que existe. Tu queres ter ideias luminosas e pensamentos nunca antes falados. Tu és aquele que sonha e que ambiciona ser o criador. Tu queres ser Deus.

Tu queres ser revolucionário mas esqueceste que o importante já foi inventado. O que tu queres a mim já não me encanta. O que tu queres, a mim já não me fascina. Gosto do teu lado sonhador mas isso já não me chega. Inventar o quê de novo? Já tanto foi modificado. Já tanto foi experimentado. Já tanta pureza foi sujeita a transformações. Basta!

Não queiras criar. Não queiras ser vanguardista. O necessário a ser inventado, já o foi. Quereres ir além do que já foi inventado é um sortilégio. Disponibiliza antes o teu tempo para cuidar do que já está inventado. Valoriza a pureza das coisas que estão à tua volta. Aprende antes a estimar as emoções verdadeiras. Não cinjas o teu olhar apenas ao que te aparece à frente. Aprecia as boas energias que te enviam. Admira o importante que já foi inventado com a ajuda de pinturas, esculturas, aromas e sons que ficam no ouvido. Como se fosses uma criança, deslumbra-te com o que está à tua volta. Elas todos os dias valorizam as coisas importantes à sua maneira. Não desprezes nunca aquele que repudia o novo ao invés do genuíno. Não troques o importante que já foi inventado pelo novo que nem se consegue bem definir. Procura tu também ser autêntico em vez de te vestires artificial. Não queiras ter ideias que nunca ninguém ousou ter. Isso não fará de ti, comparando com os outros, um ser mais especial. Sê tu mesmo, sem tirar nem pôr, estupidamente normal.

 

E apesar de tudo, eu lá no fundo sei.

Há-de chegar o dia em que tu inventas o mundo e eu já cá não estarei. E, no entanto, que peso tem este texto que eu própria inventei?
 
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Respirei fundo

Respirei fundo. Respirei fundo apenas para ter a sensação de que os meus pensamentos ficavam um pouco mais leves. Mas não. Era uma sensação ilusória. Na minha cabeça havia pontos de interrogação a voarem em remoinho. Mas além de mim, ninguém os conseguia ouvir. O seu zumbido era tão forte que nem deixava o meu coração falar. Era como se uma agulha me estivesse a atravessar o peito e os meus pulmões fossem um balão a esvaziar-se dentro de mim. Sentia-me claustrofóbica dentro daquele comboio. Já estava sentada naquele lugar há demasiadas horas. Já sabia de cor o lugar de cada pessoa que ia na minha carruagem. As janelas tinham vindo fechadas o caminho todo e as minhas pernas já não sabiam que posição escolher. A certa altura, inspirei pelo nariz e concentrei-me em libertar pela boca o ar tóxico, já saturado de dióxido de carbono. A dor de cabeça também parecia que começava finalmente a ir-se embora.
Num gesto único, passei as mãos pelos meus cabelos e penteei-os para trás. Já não me lembrava da última vez que os tinha tido tão compridos. E eis que sinto um novo aperto no coração. A ansiedade pelo desconhecido e a incógnita estavam a apoderar-se de mim. Quase que obrigavam o meu corpo a deixar-me e a querer ser apenas mais uma das pessoas que estavam sentadas ao meu lado no comboio. Essa ideia até parecia agora bastante agradável. Talvez tudo fosse mais fácil. As pessoas à minha volta podiam não parecer felizes mas também não mostravam estar preocupadas ou inquietas com aquela viagem.

Apercebi-me de que as minhas mãos estavam molhadas. Limpei-as às calças de ganga. Calças de ganga. O que é que me levou a, num dia tão importante como aquele, vestir uma roupa tão casual? Talvez fosse a minha necessidade inconsciente de segurança e a minha tentativa de alcançar tranquilidade em alguma parte de mim. E logo de seguida, parecia que um punhado de borboletas se tinha alojado na minha barriga. Ou seriam formigas? Ou seria o medo de já não te reconhecer a face? Não. Lá vieram novamente os pensamentos revestidos de chumbo. Vieram em forma de tornado e arrastaram consigo palavras desagradáveis que azedam na boca, numa força centrífuga que me consumia por dentro. Um telemóvel começou a tocar e despertei. Olhei também para o meu telemóvel de forma descontraída em total contraste com o que sentia no meu íntimo.

Pela janela dei conta de que os postes já não passavam por mim com a mesma velocidade de há pouco. Estava a chegar. Alguém abriu uma janela lá no início da carruagem e o cheiro da terra ainda húmida entrou como uma brisa no meu espírito. Outono. O tempo de deixar para trás das costas o verão que já foi bom um dia, mas já não serve para o inverno que se aproxima.

Uma paisagem amarela, castanha e vermelha preencheu a minha janela e incendiou os meus pensamentos como se de papel envelhecido se tratassem. Era um quadro de aguarelas que se apresentava à minha frente. E ao mesmo tempo era uma lufada de ar fresco que invadia o meu coração de certezas. Aquelas que me tinham levado a entrar no comboio.

Vi-te na plataforma de imediato. Eras apenas um no meio da multidão e eu reconheci-te. Estavas à minha procura. Eu sei. Os teus olhos estavam fixos nas janelas do comboio em busca dos meus. Sorri para ti. Finalmente viste onde estava.

É incrível como os nossos olhos estão destinados a cruzarem-se. É como se já tivessem passado mais do que uma vida juntos. Gosto de pensar que eles já viveram e já se amaram de tantas outras formas quanto o número de pessoas que há neste mundo, num tempo que ninguém acredita que alguma vez existiu. Talvez só eles saibam que o amor é eterno.

As nuvens escuras e pesadas, que lembram como me sentia durante a viagem, começaram a fazer chover outra vez. As pingas grossas batem no vidro com impacto e trataram de esbater a pintura que outrora eu apreciava na janela. Mas agora, já não há nada que eu quisesse mudar. Aos meus olhos está um dia perfeito.