quinta-feira, 18 de junho de 2026

Poema em seta

 ÓDIO

ÓDIO

Odeio o ódio.
Odeio todos os que odeiam.
Odeio todos os que sentem e praticam o ódio.

Se calhar odeio-me a mim também. Que "ódiotice"!

Odeio gente odiosa. Odeio-os com todas as minhas forças. Odeio que se odeiem.

Odeio que se odeiem porque isso me faz odiá-los.
Odeio-os porque me obrigam a odiar também.

Odeio o ódio que odeio.
Odeio o ódio.

ÓDIO

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Até daqui a muito tempo

Há muito tempo que não passava por aqui. É bom sinal.

Só escrevo quando me dói a alma.

Vim aqui procurar um texto que escrevi uma vez sobre o mar. Não encontrei.

Deve ter ficado perdido num caderno.


Até daqui a muito tempo.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Não foste notícia no telejornal da noite mas o mundo não será o mesmo.

Não foste notícia no telejornal da noite mas o mundo não será o mesmo.

Há já muito tempo que deixas saudades. A Coreia de Huntington levou dia após dia pedacinhos de ti. O teu raciocínio, os teus movimentos... Pedacinhos únicos que faziam de ti uma pessoa tão especial. Levou-te a tua memória. Primeiro a de curto prazo, depois até de eventos marcantes... Mas nunca levou o mais importante. Esta maldita doença nunca levou o AMOR. Nem o amor que sentias por nós, nem aquele que nós temos por ti.
Quiseste ir passar o Carnaval com as tuas irmãs. A Adelaide, a Fernanda e a Manuela. Eu percebo, avó. Vocês gostavam de brincar ao Carnaval, rir às gargalhadas e pregar partidas. Eram cúmplices, amigas, divertidas, unidas. Eu sei que os teus irmãos e irmãs te recebem de braços abertos e isso traz-me paz.
Tens filhos e um marido que nunca desistiu de ti. Tens netas e bisnetos que não te irão esquecer mas nunca nenhum de nós te conseguiu dar nem metade daquilo que tu nos deste a nós.
Foste filha, irmã, prima, esposa, nora, sogra, mãe, tia, avó e bisavó. AMIGA. Amiga de todos. Aquela que nunca pensava nela para poder dar aos outros, mesmo que isso trouxesse dissabores. Foi sempre um orgulho ser tua neta e dizer pelas ruas da Póvoa que era neta da dona Florinda. Florinda, a flor mais linda.
Há muito tempo que tenho saudades tuas. Tenho saudades de deitar a cabeça no teu colo. Dormir no sofá da tua sala e comer as delícias que com tanto amor preparavas.
A tua casa sempre foi porto de abrigo para todos. Nunca fechaste a porta a ninguém. Pelo contrário, houve quem não soubesse lidar com tanto amor e perdia a coragem de te tocar à campainha. 
Disse-te tudo o que tinha a dizer. Sei que me amavas sem peso nem medida. Sei que nos perdoaste tudo e nos amavas incondicionalmente.
Um dos piores dias das nossas vidas chegou. E eu sei que não nos queres tristes mas é difícil. A vida dá e a vida tira. Estamos sempre prontos para receber e nunca prontos para dar. Eu sei isso tudo, mas é difícil.
Quero acreditar que és agora mais uma estrelinha a olhar por nós. Espero deixar-te orgulhosa. Tento amar os meus como fui amada por ti É só isso que te posso prometer.
Esperaste por mim para te ires embora. Foste tu que escolheste a tua hora. Ambas sabíamos que era uma despedida mas eu não queria aceitar. Estavas a dormir. Obrigada por teres esperado para eu te dar um beijinho. Tu conheces-me e sabes que eu precisava disso.
Estamos cá para continuar a apaparicar o teu "carequinha", amor de uma vida. E vamos continuar a amar-nos como tu nos ensinaste.
Não foste notícia no telejornal da noite, nem no da manhã, mas o mundo não será o mesmo.
Minha querida, avó Florinda.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Patati-Patatá

Era uma vez um Patati-Patatá.

Desculpa.

Era uma vez um Patati e um Patatá.


Humm.

Outra vez.

Era uma vez um Parati-Paratá.


- Para mim?

- Sim, Parati. Parati-Paratá.


- Mas quem é esse Tá?

- Qual Tá?

- Então, disseste para mim e para Tá. Quem é esse Tá?

- Que confusão! Não há nada para ti!

Era uma vez uma Parati-Paratá. O Parati-Paratá é um rebuçado.

- Ah! Pensei que eram dois.

- Não, é só um. Um Parati

E toma lá, dá cá.





A primeira vez que te vi


A primeira vez que te vi

Foi num jardim

com a minha mãe.

A tua perfeição

deixou-me boquiaberta.

Perplexa também.


Nada mais és, do que ar.

O sopro do coração.

Sei que a minha mãe te fez com carinho.

Estico-me toda,

mas em vão.

Tento agarrar-te

mas não consigo.


Fico só a olhar,

a ver-te cair.

E assim sou feliz.

Deslumbrada

com as tuas mil cores

Ao te aproximares do meu nariz.


Finalmente consigo alcançar-te!

Toco-te com a ponta do dedo!

E num instante

tu desapareces.


Acaba a magia.

Acaba a emoção.

De ver pela primeira vez

Uma bola de sabão.