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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

livra-te dela

A culpa de não teres ninguém não é tua mas a tua culpa de não teres ninguém é só tua. Livra-te dela.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Tudo aquilo que o amor não é

Pára de vomitar palavras podres para cima de mim. Elas doem. Pára de cuspir bofetadas putrefactas e socos sem fim. Eles magoam. Pára de espirrar murros, empurrões e outros afins em estado de decomposição. Eles vão deixar marca. Pára de tossir insultos fedorentos aos meus ouvidos. Tu dizes que é amor. Dizes que eu cheiro bem. Para mim não é amor. Tu estás doente. Tens de te tratar. E eu preciso de um banho.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

criar


Criar? Criei.

Criei-me a mim e depois a ti.

Acreditar? Acreditei.

Mas só em nós.

Andei à roda, rodopiei

Já cansada, adormeci.

Sonhei bem alto e sorri.

Quando acordei, voei

Para junto de ti.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

metades


Metade do meu corpo e metade da minha alma vão dentro do avião. A outra metade do meu corpo ainda está abraçada a ti e a outra metade da minha alma ainda ri e conversa contigo. Amo-te mãe.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

regar


É importante regar o coração de amor. Seja em que tempo for, seja em que espaço for. Todos nós precisamos de um coração bem hidratado, sejamos bebés, adultos ou idosos, estejamos em casa, numa terra que não nos viu crescer ou no meio do nada. Temos de regar o nosso coração de amor. Podemos rega-lo com lágrimas de saudade ou de alegria; com beijos lambuzados, ternurentos ou escaldantes; com palavras, gestos, músicas e de tantas outras formas. Aquilo que não queremos é um coração deserto, seco e adornado de frestas.

Não te esqueças de o regar dia sim, dia não.

Não te esqueças de regar não só o teu coração mas também os corações que regam o teu.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

lábios


Tinham passado o dia a trocar mensagens tolas mas sinceras e olhares comprometidos mas fugidios. Ele convidou-a para almoçar e ela propôs que a seguir dessem um passeio pelo jardim. As árvores viram-no a dar-lhe a mão e os pássaros ouviam com alguma inveja os seus risinhos apaixonados. Pararam, finalmente em frente do café onde eu estava sentada e preparavam-se para se despedirem. Era apenas a bicicleta dela que se opunha entre eles. Ela explicava-lhe o caminho de volta, procurando ser graciosa nos movimentos e ele acenava, tentando camuflar o nervosismo. Por fim, ignorou a bicicleta e avançou sem medo para ela. Os lábios dela já sorriam antes de receber aquele que seria o seu primeiro beijo.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

homofonia


O pior de tudo (muitos se enganam) não é perder um grande amor, não é ser traído ou nunca ter amado. O pior é a homofonia do amor.

Quando achamos que alguém pensa em nós e o amor passa a saber a amêndoa amarga ao descobrimos que afinal não passávamos apenas de uma, e só uma noz.

E o pior de tudo é quando nos agarramos a alguém como hera nas paredes de uma casa antiga e quando o sol se põe, tira-nos o presente, dá-nos o pretérito imperfeito, manda fora o agá e o nosso amor já era.

Parece até que me tiram o chão dos pés quando eu lhe digo palavras doces ao ouvido e ele com tanto carinho ouve, até ao dia em que cego, surdo e mudo por outra canção fica, e aquilo que havia, passou a houve.

Achamos nós, quando o amor é verdadeiro que cantamos a uma só voz o refrão do sentimento verdadeiro. E quando chega o momento decisivo, do eu passar a nós, eis que me surpreendes: tu passas a vós.

Primeiro fazem-nos sentir realeza, de dia rainha, há noite princesa. Românticos. Levam-nos a passear à vila, de coche ao paço. E, mal damos por ele, o azar vem e troca-nos o passo.


São para mais de cem os casos de homofonia que eu conheço, que começam com muitas juras e acabam sem jura nenhuma.


Já chega de homofonia no amor, vamos agora e já procurar a concordância no verbo amar.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Deixas-me assim desamparada


Deixas-me assim desamparada, sem saber onde cair morta. Deixas-me e vais-te embora sem sequer olhares para trás. Outros dias houve em que não me largavas um segundo e dizias que era tudo para ti. Hoje deixas-me assim desamparada, sem saber o que fazer. Escolheste um belo sítio para me deixares desamparada. Pensaste que por ser o meu jardim preferido me iria sentir melhor. Já nunca mais vou é conseguir passear nele da mesma maneira. Deixas-me assim desamparada e confiante foste embora. Nem sequer um último beijo me deste. Levaste contigo o meu coração no momento em que me viraste as costas. Só espero que nunca te deixem desamparado a ti porque eu sei onde te iria encontrar para reaver o meu coração.

 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O que nos leva à dor?


Abafa. Abafador. Abafa a dor.

Cura. Curador. Cura a dor.

Acelera. Acelerador. Acelera a dor.

Salva. Salvador. Salva a dor.

Acusa. Acusador. Acusa a dor.

Admira. Admirador. Admira a dor.

Fura. Furador. Fura a dor.

Anima. Animador. Anima a dor.

Agrafa. Agrafador. Agrafa a dor.

Ama. Amador. Ama a dor.

 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Palavras caras não as compro eu

Há pessoas que perdem demasiado tempo à procura de palavras caras para se expressarem, para dizerem aos outros aquilo que sentem. Dizem que o tempo é dinheiro e eu acho que essas pessoas além de perderem tempo, perdem outras valiosíssimas coisas. As palavras mais caras nem sempre são aquelas que mais rápido chegam ao coração do outro ou que fazem o coração do outro ficar mais sensibilizado. Na maioria das vezes são mesmo as palavras mais singelas e mais corriqueiras que, sem o outro estar à espera, fazem abanar o mundo e mudar toda uma vida. Tentar usar as palavras certas e as mais caras não me parece que seja o melhor caminho. Usar palavras mais simples e com menos floreados também me parece mais sincero e verdadeiro. Porém, temos de concordar que às vezes nem sequer é preciso utilizar palavras porque é esse mesmo silêncio entre elas que nos diz quem nos ama.

 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Respirei fundo

Respirei fundo. Respirei fundo apenas para ter a sensação de que os meus pensamentos ficavam um pouco mais leves. Mas não. Era uma sensação ilusória. Na minha cabeça havia pontos de interrogação a voarem em remoinho. Mas além de mim, ninguém os conseguia ouvir. O seu zumbido era tão forte que nem deixava o meu coração falar. Era como se uma agulha me estivesse a atravessar o peito e os meus pulmões fossem um balão a esvaziar-se dentro de mim. Sentia-me claustrofóbica dentro daquele comboio. Já estava sentada naquele lugar há demasiadas horas. Já sabia de cor o lugar de cada pessoa que ia na minha carruagem. As janelas tinham vindo fechadas o caminho todo e as minhas pernas já não sabiam que posição escolher. A certa altura, inspirei pelo nariz e concentrei-me em libertar pela boca o ar tóxico, já saturado de dióxido de carbono. A dor de cabeça também parecia que começava finalmente a ir-se embora.
Num gesto único, passei as mãos pelos meus cabelos e penteei-os para trás. Já não me lembrava da última vez que os tinha tido tão compridos. E eis que sinto um novo aperto no coração. A ansiedade pelo desconhecido e a incógnita estavam a apoderar-se de mim. Quase que obrigavam o meu corpo a deixar-me e a querer ser apenas mais uma das pessoas que estavam sentadas ao meu lado no comboio. Essa ideia até parecia agora bastante agradável. Talvez tudo fosse mais fácil. As pessoas à minha volta podiam não parecer felizes mas também não mostravam estar preocupadas ou inquietas com aquela viagem.

Apercebi-me de que as minhas mãos estavam molhadas. Limpei-as às calças de ganga. Calças de ganga. O que é que me levou a, num dia tão importante como aquele, vestir uma roupa tão casual? Talvez fosse a minha necessidade inconsciente de segurança e a minha tentativa de alcançar tranquilidade em alguma parte de mim. E logo de seguida, parecia que um punhado de borboletas se tinha alojado na minha barriga. Ou seriam formigas? Ou seria o medo de já não te reconhecer a face? Não. Lá vieram novamente os pensamentos revestidos de chumbo. Vieram em forma de tornado e arrastaram consigo palavras desagradáveis que azedam na boca, numa força centrífuga que me consumia por dentro. Um telemóvel começou a tocar e despertei. Olhei também para o meu telemóvel de forma descontraída em total contraste com o que sentia no meu íntimo.

Pela janela dei conta de que os postes já não passavam por mim com a mesma velocidade de há pouco. Estava a chegar. Alguém abriu uma janela lá no início da carruagem e o cheiro da terra ainda húmida entrou como uma brisa no meu espírito. Outono. O tempo de deixar para trás das costas o verão que já foi bom um dia, mas já não serve para o inverno que se aproxima.

Uma paisagem amarela, castanha e vermelha preencheu a minha janela e incendiou os meus pensamentos como se de papel envelhecido se tratassem. Era um quadro de aguarelas que se apresentava à minha frente. E ao mesmo tempo era uma lufada de ar fresco que invadia o meu coração de certezas. Aquelas que me tinham levado a entrar no comboio.

Vi-te na plataforma de imediato. Eras apenas um no meio da multidão e eu reconheci-te. Estavas à minha procura. Eu sei. Os teus olhos estavam fixos nas janelas do comboio em busca dos meus. Sorri para ti. Finalmente viste onde estava.

É incrível como os nossos olhos estão destinados a cruzarem-se. É como se já tivessem passado mais do que uma vida juntos. Gosto de pensar que eles já viveram e já se amaram de tantas outras formas quanto o número de pessoas que há neste mundo, num tempo que ninguém acredita que alguma vez existiu. Talvez só eles saibam que o amor é eterno.

As nuvens escuras e pesadas, que lembram como me sentia durante a viagem, começaram a fazer chover outra vez. As pingas grossas batem no vidro com impacto e trataram de esbater a pintura que outrora eu apreciava na janela. Mas agora, já não há nada que eu quisesse mudar. Aos meus olhos está um dia perfeito.

 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Escrevo porque sei que o que escrevo ninguém consegue ler

Escrevo porque sei que o que escrevo ninguém consegue ler. Aquilo que penso e aquilo escrevo é diferente daquilo que é lido e que é pensado por outrem. Até mesmo eu, depois de escrever o que penso não me consigo lembrar do que estava a pensar quando escrevi. A pessoa que escreve o texto nunca é a mesma que o lê. Muda o tempo, muda o espaço, muda o leitor e, por fim, muda o texto. Às vezes não me reconheço nas minhas próprias letras.

Isto deu, dá e sempre dará azo a novos amores e a novos ódios. Pensamos nós que quem gosta daquilo que escrevemos é porque gosta da forma como pensamos e está em concordância com os nossos sentimentos. Porém, na verdade, quem gosta daquilo que escrevemos, gosta apenas da forma como interpreta as nossas palavras e as consegue encaixar na sua vida. Quem diz que gosta daquilo que lê é porque encontra naquelas letras o seu nome. Da mesma forma, quem não encontra empatia com as palavras que lê pode-lhes mesmo ganhar ódio. E esse ódio gera guerra. A guerra é a ferida que é causada pela leitura de um texto que não se gosta e é partilhada com outros que têm as mesmas feridas.

Um mesmo texto tem tantas interpretações quanto o número de pessoas que o lê. E, sendo assim, há muitos mais textos para serem lidos do que aqueles que já estão escritos. Por um lado, se há muitos outros textos que eu gostaria de ler, por outro lado, há muitos outros textos que eu preferia não descodificar. Então porque ensinamos nós os outros a ler e a escrever? Será apenas uma questão prática, de acesso ao registo escrito? Serão o ler e o escrever direitos de um cidadão? E deveres? Um leitor e um escritor têm direitos mas também têm deveres para com um texto. Um leitor tem o direito de interpretar um texto das formas que quiser. Um escritor tem o direito de escrever um texto sob as formas que quiser. Todavia, um leitor tem o dever de ler na íntegra um texto antes de saltar linhas ou esboçar entrelinhas. E um escritor tem o dever de perante um texto que escreve fazer justiça aos seus pensamentos usando as palavras certas em cada momento. Além disso, o escritor não se pode esquecer que os seus pensamentos ficarão ao acesso de todos. Pelo contrário, o leitor tem a liberdade de poder guardar para si as suas interpretações e apenas as revela se o entender. Não pretendo de alguma forma desprezar o ser-leitor, caso contrário estaria a desprezar-me a mim própria. Eu sou a eterna leitora do meu ser-escritor. Quero apenas distinguir estes dois atos para tudo ficar bem arrumado na minha cabeça. Tu que estás a escrever não és quem estás a ler.

Sempre escrevi, escrevo e continuarei a escrever. Ao fazê-lo, uso o papel e o lápis para desenhar o que penso. Uso letras em vez de traços como os pintores. Através das letras eu mostro as cores daquilo que penso. Uso as palavras paixão, sangue e arrebatador para colorir o amor de vermelho. Uso as palavras sombra, frio e mistério para colorir a noite de preto. Uso letras em vez de colheres-de-pau como os cozinheiros. Através das letras eu mostro os cheiros daquilo que penso. Uso as palavras rosa, brisa e silvestre para perfumar um jardim. Uso as palavras quente, textura e suave para degustar um bom vinho.

Não há dúvida que as palavras são o meu veículo de condução preferido para visitar os meus pensamentos e por lá ficar a passear. Com as palavras em vagueio pelas maiores avenidas das mais modernas cidades e pelas escadinhas de xisto das ruelas escondidas das aldeias mais longínquas. Às vezes vou a pedalar devagarinho a apreciar o sol que roça no meu rosto e outras vezes escrevo de forma pouco cuidada e desenfreada como se estivesse a mudar de metro muitas vezes de seguida. Será que algum dia chegarei ao fim da viagem? Onde para o meu destino?

Um texto não é mais do que uma viagem. Quando se viaja sente-se tudo de uma forma que nunca mais se sentirá igual. Muda o tempo, muda o espaço, muda a companhia que vai ao nosso lado, muda o viajante que há em nós e, por fim, muda o texto. É por isso que às vezes não me reconheço nas minhas próprias letras.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Nós

Passaram sete anos desde o dia em que fomos Nós pela primeira vez.


Nos meus ouvidos ainda estão as músicas que tocaram na noite em que nos conhecemos e o teu perfume ainda descansa no meu nariz. De alguma forma, nos meus lábios ainda repousam as primeiras palavras que trocámos. Os olhares à distância guardo-os na minha memória, bem como a roupa que trazias. Na minha mente ainda estão as borboletas que me acompanharam para os nossos primeiros encontros. No meu corpo ainda sinto o toque da tua pele e as minhas mãos ainda se lembram de tremer na primeira vez que me quiseste dar a mão.

Nunca mais a largaste. Desde esse dia que continuamos de mãos dadas. Nós inventámos o Amor. Construímo-lo juntos e fizemo-lo crescer de tal forma que se tornou visível a qualquer pessoa que nos veja de mãos dadas. O Amor aparece nos nossos sorrisos, na nossa troca de carinho e de atenção. Não há ninguém que não consiga ver o Amor que há entre Nós quando nos beijamos.

Tens sido o meu melhor amigo. Tenho sido a tua melhor amiga. Entre nós cresceu uma cumplicidade única. Qualquer palavra que um começa a dizer, o outro completa e o mesmo acontece com tudo o resto. Nós temos sido compreensivos e temos confiado um no outro. Os nossos arrufos de namorados, tão depressa vêm como depressa vão embora. E a paixão continua bem presente, sempre.

Nestes sete anos temos sido privilegiados. Temos tido a oportunidade de andar de mãos dadas pelos mais diversos sítios. Namorámos em inúmeras praias, em montanhas de diferentes tamanhos, em dunas, em florestas, até na neve, em jardins e em tantas ruas de tantas cidades. Pudemos espalhar o nosso amor por toda a parte. Cada viagem tornou os nossos laços mais fortes e mais robustos.

Muitas foram e continuam a ser as refeições que tomamos juntos. E seja onde for, só tu fazes sentido ao meu lado. Sé entre nós é que faz sentido um bom vinho e a partilha de talheres aquando da sobremesa. Tornámos a nossa vida mais doce sem nunca ser enjoativa. Temos o tempero na quantidade certa e é por isso que quando cozinho para Nós fica sempre tão apetitoso.

Foram e têm sido diversas as dificuldades por que passámos mas nada nos deteve. A distância foi quem mais se impôs no nosso caminho. Tivemos de largar as nossas mãos durante um tempo para caminharmos separados. Mas nem o distanciamento conseguiu separar o que Nós queremos. Conseguimos chegar a este dia com mais alegrias do que tristezas. E os nossos amigos e as nossas famílias fizeram desde sempre parte desses bons momentos que juntos vivemos.

Depois de nos termos deslumbrado um com o outro, conseguimos desviar o nosso olhar de nós próprios e olhar juntos na mesma direção. Decidimos caminhar na mesma estrada, sempre de mãos dadas. Nós somos felizes assim.

Não sei se as palavras que escolhi para te falar sobre Nós são as certas e as que mais fazem jus àquilo que sinto mas garanto-te que são as mais sinceras que consegui encontrar dentro do meu coração. Sou deveras feliz contigo. Estas palavras servem apenas para te dizer que pretendo continuar a ser Nós durante muito, muito tempo. Amo-te.