Esvazia-te. Sente-te vazio. Inunda-te de
incertezas. Volta a ser uma tábua rasa se algum dia sequer o foste. Livra-te de
tudo o que aprendeste. Volta a olhar o mundo sem preconceitos. Respira como se
fosse a primeira vez. Alegra-te com o que de mais simples a vida tem. Não
procures saber. Não queiras saber. Tem raiva de quem sabe. Não queiras saber de
professores, de livros ou filosofias. Eles infetam-te. Eles mudam-te. Eles
querem que sejas quem tu não és. Sacode-te. Deixa sair os teus pensamentos.
Deixa as tuas emoções saírem de forma natural. Chora se tiveres que chorar. Ri
se tiveres que rir. Esconde-te do mundo se quiseres. Expulsa de ti qualquer
tipo de opinião. Exorciza qualquer religião. Não acredites em nada. Não oiças o
que te dizem. Não creias no que os teus olhos veem. Não te deixes levar por
perfumes. Repele-te contra tudo o que te queira tocar. Sê livre de sensações e
de emoções. Repudia sentimentos e anula conhecimentos. Não queiras ir mais
longe. Fica onde estás e esvazia-te. Esvazia-te apenas e nada te poderá magoar.
Sê vazio, mas feliz.
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
O que é que lá cabe?
Tudo
isto cabe.
Bolas
de sabão com muitas cores
e
carrosséis de sabores.
Tudo
isto e muito mais.
Brincadeiras
de giz no chão
E
festinhas no dorso de um cão.
Tudo
cabe e não sai.
Caderno,
papel, tesoura e cola
E
saltinhos a caminho da escola.
Cabe
isto e mais e mais.
Pesadelos
com o bicho-papão
E
sonhos fofos como algodão.
Cabe
ainda, oiçam lá,
Um
coração que transborda amizade
E
um parque-infantil de liberdade.
Cabe
uma mão cheia de esperança.
Tudo
isto cabe no sorriso de uma criança.
Etiquetas:
afetos,
amizade,
criança,
curiosidade,
infância
terça-feira, 5 de novembro de 2013
enigmáticas expressões idiomáticas
Que estranha necessidade a nossa (e quando digo
nossa refiro-me, claro está, aos portugueses) de criar estereótipos
internacionais para falarmos. Ora nos referimos aos nossos vizinhos espanhóis,
ora aos ingleses, ora aos mais distantes indianos e até aos chineses que estão
do outro lado do mundo. É cá uma curiosidade minha.
Gostava de saber a razão da nossa vida ser uma roleta
russa e não podermos todos viver à grande e à francesa. E por que
razão fazemos tantas vezes coisas para inglês ver quando na verdade
nós gostamos mesmo é de mexer nas coisas e ver como os espanhóis? Eu sei que é
impossível agradar a gregos e a troianos mas às vezes parece que ninguém
me compreende e que estou a falar chinês. Se calhar o melhor
para o mundo era sermos todos iguais, todos informatizados, sem excentricidades,
andando todos em fila indiana, uns atrás dos outros. O caminho para a liberdade
talvez fosse difícil de seguir. Havíamos de nos ver gregos para lá chegar
mas talvez fôssemos bem-sucedidos e aí sentiríamos que tínhamos feito o negócio
da China.
E que expressões idiomáticas haverá noutros
países usando o estereótipo português? É cá uma curiosidade minha.
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