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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

vazio


Esvazia-te. Sente-te vazio. Inunda-te de incertezas. Volta a ser uma tábua rasa se algum dia sequer o foste. Livra-te de tudo o que aprendeste. Volta a olhar o mundo sem preconceitos. Respira como se fosse a primeira vez. Alegra-te com o que de mais simples a vida tem. Não procures saber. Não queiras saber. Tem raiva de quem sabe. Não queiras saber de professores, de livros ou filosofias. Eles infetam-te. Eles mudam-te. Eles querem que sejas quem tu não és. Sacode-te. Deixa sair os teus pensamentos. Deixa as tuas emoções saírem de forma natural. Chora se tiveres que chorar. Ri se tiveres que rir. Esconde-te do mundo se quiseres. Expulsa de ti qualquer tipo de opinião. Exorciza qualquer religião. Não acredites em nada. Não oiças o que te dizem. Não creias no que os teus olhos veem. Não te deixes levar por perfumes. Repele-te contra tudo o que te queira tocar. Sê livre de sensações e de emoções. Repudia sentimentos e anula conhecimentos. Não queiras ir mais longe. Fica onde estás e esvazia-te. Esvazia-te apenas e nada te poderá magoar. Sê vazio, mas feliz.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O que é que lá cabe?


Tudo isto cabe.

Bolas de sabão com muitas cores

e carrosséis de sabores.

Tudo isto e muito mais.

Brincadeiras de giz no chão

E festinhas no dorso de um cão.

Tudo cabe e não sai.

Caderno, papel, tesoura e cola

E saltinhos a caminho da escola.

Cabe isto e mais e mais.

Pesadelos com o bicho-papão

E sonhos fofos como algodão.

Cabe ainda, oiçam lá,

Um coração que transborda amizade

E um parque-infantil de liberdade.

Cabe uma mão cheia de esperança.

Tudo isto cabe no sorriso de uma criança.

 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

enigmáticas expressões idiomáticas

Que estranha necessidade a nossa (e quando digo nossa refiro-me, claro está, aos portugueses) de criar estereótipos internacionais para falarmos. Ora nos referimos aos nossos vizinhos espanhóis, ora aos ingleses, ora aos mais distantes indianos e até aos chineses que estão do outro lado do mundo. É cá uma curiosidade minha.

Gostava de saber a razão da nossa vida ser uma roleta russa e não podermos todos viver à grande e à francesa. E por que razão fazemos tantas vezes coisas para inglês ver quando na verdade nós gostamos mesmo é de mexer nas coisas e ver como os espanhóis? Eu sei que é impossível agradar a gregos e a troianos mas às vezes parece que ninguém me compreende e que estou a falar chinês. Se calhar o melhor para o mundo era sermos todos iguais, todos informatizados, sem excentricidades, andando todos em fila indiana, uns atrás dos outros. O caminho para a liberdade talvez fosse difícil de seguir. Havíamos de nos ver gregos para lá chegar mas talvez fôssemos bem-sucedidos e aí sentiríamos que tínhamos feito o negócio da China.

E que expressões idiomáticas haverá noutros países usando o estereótipo português? É cá uma curiosidade minha.